Descobertas do mês de Dezembro
Droga experimental NU-9 impede danos antes da perda de memória – 22 de dezembro de 2025
Pesquisadores da Northwestern University publicaram resultados sobre a molécula NU-9, que age na saúde dos neurônios antes que as placas amiloides causem estragos irreversíveis.
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Detalhes do estudo
O estudo focou na "astrogliose reativa", uma inflamação que acontece no cérebro muito antes de qualquer esquecimento. Em modelos animais, a NU-9 conseguiu "resgatar" os neurônios desse processo inflamatório, impedindo que a doença progredisse. O diferencial é que ela foca na estrutura da célula nervosa, e não apenas nas proteínas acumuladas.
O estudo focou na "astrogliose reativa", uma inflamação que acontece no cérebro muito antes de qualquer esquecimento. Em modelos animais, a NU-9 conseguiu "resgatar" os neurônios desse processo inflamatório, impedindo que a doença progredisse. O diferencial é que ela foca na estrutura da célula nervosa, e não apenas nas proteínas acumuladas.
O estudo conclui que o Alzheimer em portadores de risco genético deve ser tratado como uma doença do desenvolvimento metabólico. A falha precoce dos astrócitos é o "marco zero" da patologia, e corrigi-la precocemente pode ser a chave para evitar que a cascata de placas amiloides e emaranhados de tau chegue a ser iniciada.
Imunoterapia para Tau reduz drasticamente marcadores de emaranhados no líquor e plasma – 19 de dezembro de 2025
Novos dados de ensaios clínicos com anticorpos anti-tau (como o E2814 e o Mezagitamab) demonstram, pela primeira vez, uma queda sustentada nos níveis de "emaranhados" neurofibrilares após o tratamento.
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Detalhes do estudo
Diferente dos tratamentos que focam na proteína amiloide (as placas externas), este estudo focou na proteína Tau, que forma emaranhados dentro dos neurônios e está diretamente ligada à morte celular. Os pesquisadores testaram anticorpos que "capturam" a proteína Tau enquanto ela tenta viajar de um neurônio para outro. Os resultados mostraram que, após o tratamento, os biomarcadores de Tau (como p-tau217 e MTBR-tau) caíram drasticamente tanto no fluido cerebrospinal (líquor) quanto no sangue, indicando que a propagação da doença foi freada.
A proteína Tau é considerada o "combustível" da demência; enquanto a amiloide é o gatilho, a Tau é o que efetivamente destrói a memória e a cognição. Ver esses marcadores "despencarem" (o termo tank usado no estudo) sugere que esses novos remédios podem ser muito mais eficazes em parar a progressão dos sintomas do que qualquer coisa testada anteriormente. Além disso, a capacidade de monitorar isso via exame de sangue facilita muito o acompanhamento do paciente.
Este avanço solidifica a ideia de que o futuro do tratamento do Alzheimer não será uma droga única, mas uma combinação: algo para limpar a amiloide e esses novos anticorpos para impedir que a Tau destrua o interior das células cerebrais.
Terapia combinada de THC e anti-inflamatório reduz patologia de Alzheimer – 18 de dezembro de 2025
Um estudo publicado na revista Aging and Disease revelou que a combinação de baixas doses de THC com celecoxibe reverteu danos cognitivos em modelos experimentais.
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Detalhes do estudo
A pesquisa da UT Health San Antonio utilizou microdoses de THC (componente da cannabis) junto ao celecoxibe (um anti-inflamatório comum). A combinação reduziu as placas de beta-amiloide e os emaranhados de tau, além de diminuir drasticamente a neuroinflamação, algo que o THC isolado não conseguia fazer sem causar inflamação colateral.
Este estudo fornece a base científica para o uso terapêutico de canabinoides no Alzheimer, focando na proteção dos neurônios e na melhora da memória, com doses que não causam efeitos psicoativos significativos.
A estratégia de "terapia combinada" surge como uma nova fronteira, atacando a inflamação e a toxicidade proteica simultaneamente.
Estudo brasileiro confirma eficácia de exame de sangue no SUS – 09 de dezembro de 2025
Pesquisadores da UFRGS e da USP publicaram dados consolidados sobre o uso da proteína p-tau217 como biomarcador acessível para a população brasileira.
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Detalhes do estudo
O trabalho, que foi destaque na revista Nature, validou o teste de sangue em pacientes de baixa escolaridade e diferentes perfis genéticos no Brasil. O exame atingiu 90% de precisão, comparável aos caros exames de imagem (PET scan) e invasivos (punção lombar).
A validação em populações diversas é o passo final para que o Ministério da Saúde possa implementar o rastreio do Alzheimer no SUS, democratizando o diagnóstico que hoje é restrito a clínicas particulares de elite.
O Brasil se posiciona como líder na aplicação prática de biomarcadores sanguíneos em cenários de saúde pública de alta complexidade.
Tecnologia "Brainshuttle" acelera a limpeza de placas no cérebro – 04 de dezembro de 2025
Apresentação final do estudo com o anticorpo Trontinemab demonstrou uma eficácia superior na travessia da barreira hematoencefálica com menos efeitos colaterais.
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Detalhes do estudo
Utilizando uma técnica de "lançadeira cerebral", o medicamento consegue transportar maiores concentrações do anticorpo para dentro do cérebro. Os resultados da fase 1b/2a mostraram que 91% dos participantes atingiram a "negatividade amiloide" (limpeza das placas) em apenas 28 semanas, com taxas de edema cerebral (ARIA) inferiores a 5%.
Este avanço resolve um dos maiores problemas das terapias atuais: o risco de micro-hemorragias. A nova tecnologia permite doses menores com maior eficácia e segurança para o paciente.
O Trontinemab representa a "segunda geração" de anticorpos, prometendo tratamentos mais rápidos e seguros que o Lecanemab e o Donanemabe.
Semaglutida apresenta potencial para reduzir biomarcadores de Alzheimer – 03 de dezembro de 2025
Resultados da fase 3 apresentados no CTAD 2025 indicam que a semaglutida (substância do Ozempic) pode influenciar assinaturas proteicas ligadas ao risco de demência.
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Detalhes do estudo
Dados dos ensaios EVOKE e EVOKE+ mostraram que pacientes com Alzheimer em estágio inicial que receberam tratamento subcutâneo por 12 semanas apresentaram uma redução nos níveis de proteínas relacionadas à patologia no fluido cerebrospinal. O estudo sugere que o controle metabólico e a redução da resistência à insulina no cérebro podem retardar a neurodegeneração.
Se aprovada para essa finalidade, a semaglutida seria uma opção de tratamento oral ou subcutâneo muito mais simples de administrar do que as infusões intravenosas atuais, focando na conexão entre diabetes tipo 2 e demência.
O estudo fortalece a tese de que o Alzheimer pode ser tratado como um "diabetes tipo 3", onde a regulação do metabolismo da glicose cerebral é fundamental para a sobrevivência neuronal.